
Cirurgia das vias lacrimais: quando indicar?
- Clínica Sartori

- há 6 dias
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Lágrimas escorrendo constantemente pelo rosto, secreção recorrente no canto interno dos olhos ou episódios de inflamação podem parecer incômodos simples, mas nem sempre são. A cirurgia das vias lacrimais pode ser indicada quando há uma obstrução que impede a drenagem normal da lágrima e compromete o conforto, a saúde ocular e a qualidade de vida.
As lágrimas não têm apenas relação com emoção. Elas protegem a superfície dos olhos, ajudam na lubrificação e são eliminadas por pequenos canais localizados próximos ao canto interno das pálpebras. Quando esse sistema não funciona adequadamente, a lágrima pode se acumular, transbordar e favorecer infecções. A avaliação com oftalmologista, especialmente com formação em oculoplástica, é o ponto de partida para entender a causa e definir a conduta mais segura.
O que são as vias lacrimais e por que podem obstruir?
As vias lacrimais formam um caminho de drenagem. A lágrima passa por pequenos pontos nas pálpebras, segue pelos canalículos lacrimais, alcança o saco lacrimal e, então, chega à cavidade nasal pelo ducto nasolacrimal. Uma alteração em qualquer trecho desse percurso pode dificultar ou bloquear a drenagem.
Em adultos, a obstrução pode ocorrer de forma adquirida, muitas vezes relacionada ao estreitamento progressivo do ducto nasolacrimal. Processos inflamatórios, infecções, traumas na face, cirurgias prévias, alterações nas pálpebras e algumas condições nasais também podem participar do problema. Em crianças, a causa mais comum é uma membrana que não se abre completamente ao nascimento, situação que frequentemente melhora com o amadurecimento natural das estruturas.
Nem todo lacrimejamento significa obstrução. Olho seco, alergias, blefarite, irritação da superfície ocular e posicionamento inadequado das pálpebras podem causar produção reflexa de lágrimas. Por isso, indicar uma cirurgia sem investigar a origem do sintoma não é uma conduta adequada.
Quando a cirurgia das vias lacrimais pode ser recomendada?
A indicação depende da intensidade dos sintomas, do local da obstrução, dos achados do exame e do impacto na rotina do paciente. Em alguns casos, medidas clínicas, tratamento de inflamações associadas ou procedimentos menos invasivos são suficientes. Em outros, a intervenção cirúrgica é a alternativa mais efetiva para restabelecer a drenagem.
O lacrimejamento persistente, chamado epífora, é uma queixa frequente. O paciente pode precisar limpar os olhos repetidamente, ter dificuldade para ler, dirigir ou se maquiar, além de perceber irritação da pele pela umidade constante. Quando há infecção do saco lacrimal, conhecida como dacriocistite, podem surgir dor, vermelhidão, inchaço e secreção perto do canto interno do olho. Episódios repetidos merecem atenção, pois a infecção exige tratamento e pode reforçar a necessidade de corrigir a obstrução.
Em bebês, o acompanhamento deve ser individualizado. Massagens orientadas pelo oftalmologista podem ser indicadas inicialmente em determinadas situações. Caso os sintomas persistam ou ocorram infecções, pode haver necessidade de sondagem das vias lacrimais. A idade da criança, a evolução do quadro e o exame especializado orientam o melhor momento para agir.
A consulta define mais do que a técnica
Durante a consulta, o médico escuta a história dos sintomas, avalia olhos, pálpebras e região nasal, além de realizar testes para verificar a passagem da lágrima. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames complementares ou uma avaliação conjunta com otorrinolaringologista, principalmente quando há suspeita de alterações nasais relevantes.
Esse cuidado evita promessas simplificadas. A cirurgia pode melhorar de forma significativa o escoamento da lágrima, mas o resultado depende do ponto obstruído, da técnica necessária, das condições de cicatrização e da presença de doenças associadas. Planejamento individualizado é parte essencial da segurança.
Como é realizada a cirurgia das vias lacrimais?
Existem diferentes procedimentos, escolhidos de acordo com a localização da alteração. Nas obstruções mais baixas do sistema lacrimal, a dacriocistorrinostomia, ou DCR, é uma das técnicas mais utilizadas. Ela cria uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, permitindo que as lágrimas encontrem uma nova rota de drenagem.
A DCR pode ser feita por via externa, com uma pequena incisão na região próxima ao canto interno do olho, ou por via endonasal, realizada pelo interior do nariz. Não existe uma técnica universalmente superior para todos. A escolha considera a anatomia do paciente, a causa da obstrução, cirurgias anteriores, as condições nasais e a experiência da equipe responsável.
Em determinados casos, o cirurgião pode utilizar uma pequena sonda de silicone temporária para manter o trajeto de drenagem durante a cicatrização. Esse material é retirado posteriormente, no tempo definido pelo médico. Obstruções localizadas nos pontos lacrimais ou canalículos, por sua vez, podem demandar procedimentos específicos, como dilatação, intubação ou reconstrução da região.
A anestesia também é definida de forma personalizada. Algumas intervenções são realizadas com anestesia local e sedação, enquanto outras exigem anestesia geral. O objetivo é proporcionar conforto, controle adequado do procedimento e a melhor experiência possível, sempre com indicação responsável.
Recuperação: o que esperar após o procedimento
É comum haver edema leve, sensibilidade local, lacrimejamento misturado a pequena quantidade de sangue e desconforto nasal nos primeiros dias, especialmente após técnicas que envolvem a cavidade nasal. Esses sinais variam entre os pacientes e devem ser acompanhados conforme as orientações recebidas.
No período inicial, geralmente é recomendado evitar esforço físico intenso, abaixar a cabeça repetidamente, assoar o nariz com força e manipular a região operada. Compressas, higiene local e medicamentos só devem ser usados conforme prescrição. O retorno às atividades depende da técnica, da resposta individual e do tipo de trabalho exercido.
As consultas de revisão têm papel importante. Elas permitem avaliar a cicatrização, identificar crostas ou secreções, ajustar cuidados e acompanhar a permeabilidade da nova via de drenagem. Se houver sonda de silicone, o paciente deve comparecer no período indicado para controle e retirada.
Sinais como dor intensa ou crescente, febre, vermelhidão importante, sangramento persistente, redução visual ou secreção abundante precisam de contato médico imediato. Embora complicações sejam incomuns quando há planejamento e acompanhamento adequados, reconhecer alterações precocemente faz diferença.
Segurança e resultados: o valor de uma visão especializada
A região dos olhos reúne estruturas delicadas e funções essenciais. Por isso, o tratamento das vias lacrimais deve considerar não apenas o lacrimejamento, mas também a saúde da superfície ocular, a posição das pálpebras, o histórico de cirurgias, a anatomia facial e possíveis alterações nasais.
Na Clínica Sartori, a integração entre oftalmologia, oculoplástica e cirurgia plástica contribui para uma avaliação atenta da região periocular. Essa atuação é especialmente valiosa quando o paciente apresenta, ao mesmo tempo, queixas de pálpebras, alterações estéticas ou necessidades funcionais que exigem planejamento cuidadoso.
A decisão por operar deve ser tomada com tranquilidade, após esclarecimento sobre benefícios esperados, limites, alternativas e cuidados do pós-operatório. Uma consulta especializada oferece espaço para perguntas e para uma recomendação que respeite as necessidades de cada pessoa.
Se o lacrimejamento persistente passou a fazer parte da sua rotina ou se infecções na região se repetem, não é preciso normalizar o desconforto. Uma avaliação individualizada pode mostrar o caminho mais seguro para cuidar dos olhos com precisão médica, acolhimento e atenção aos detalhes.




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